sábado, 14 de abril de 2007

A MÁQUINA DE MOER GENTE

Texto: Jorge Américo
Ilustração: 1000imagens

No ímpeto da madrugada
Alguém ligou a máquina de moer gente.
Soaram-se os tambores de guerra.
E pelas esquinas desertas, as sirenes
Prenunciavam dias sombrios.

Uma intensa chuva bélica interrompeu o silêncio
Saciando a sede de morte.
Luzes noturnas.
Gritos melindrosos.
Terremotos artificiais.
Explosões.
Morteiros.
Granadas.
Poeira.
Sangue.
Medo.

Uma rajada de metralhadora abriu o peito de uma criança,
Mas ela não morreu. Protagonizou obra do sobrenatural:
Dormiu na terra e acordou no céu...
Era um anjo.
Mataram um anjo e a televisão não mostrou
(O horário era impróprio).

Alguém apagou a luz!
Não. Foi um soldado que perdeu os olhos.
Nada, porém, mudou.
Antes de ser mutilado,
O infante já estava cego de ódio.

Esqueçamos a diplomacia e os Direitos Humanos!
Chamem a Sociedade Protetora dos Animais!
Alguém precisa fazer alguma coisa!
Dorida, a pomba da paz agoniza,
Calcada aos pés de um tirano.

3 comentários:

Jorge disse...

Essa máquina é um soldado estadunindense, mas poderia ser um soldado nazista contra os judeus, um soldado israelense contra os palestinos, brasileiro contra os favelados, romano contra os inconformados da palestina, outro brasileiro contra os paraguaios, o italiano que matou um jovem em Genova - G8, enfim...essa máquina da morte é qualquer um que ache que ordem é ordem e fim...tem que ser cumprida!!! É o ser não pensante!!!
Saudações Jorge Lira

Samara Oliveira disse...

Me lembrou o clipe do Pink Floyd - Another Brick in the wall. Muito bom :)

PAULO PEREIRA disse...

DEPOIS QUE TERMINEI DE LER ME DEU UMA VONTADE MISERAVEL DE TOMAR UM CALDO DE CANA E COME UMA COXINHA