Mostrando postagens com marcador Rafael Araújo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rafael Araújo. Mostrar todas as postagens

domingo, 29 de março de 2009

Pietá




Santana era Prostituta, mas era extremamente Católica.
Teve uma filha, antes de entrar pra viração.
Coisa Que no Bordel ninguém sabia.
Colocou-le o nome de Maria das Dores em Homenagem a Nossa Senhora
Casou-se com um caminhoneiro, logo que seu marido morreu.
O padrasto abusava da menina e a mãe submissa fazia o seu protesto com um choro contido, fingia que
nada acontecia, porque seu sustento dependia do seu marido
A primeira vez que a menina sangrou, achou que estava morrendo.
Sua mãe pos-lhe o terço na mão e pediu-lhe para orar para nossa senhora
Contou-lhe a história da virgem Maria, que recebeu o espírito Santo ainda Virgem
E que deu a Luz ao Salvador.
Maria da dores logo pegou Barriga, depois de tantas investidas de seu padrasto.
E durante um acesso de vomito e Choro.
Sua Mãe já meio louca e deseperada disse-lhe: Maria você é Privilegiada o espírito Santo Lhe visitou! Maria levantou- sua Cabeça e limpou o vomito da boca e perguntou: Mas então a Senhora é o anjo Gabriel?
A Mãe disse-lhe que o anjo nasceria de seu ventre e a salvariam como fez o Messias.
Maria pergunto-lhe porque este estado de graça a fazia sofrer tantas dores.
A mãe disse-lhe que teria que passar pela via crucis do corpo, assim como cristo,antes de dar luz ao Anjo.
O pequeno útero de Maria se contraia, ela sentia enjôo e dores fortes, cada vez que isso ocorria corria ao Rosário.
Um dia Maria acordou vertendo sangue, sua mãe lhe disse que era a sétima Chaga de Cristo que lhe atingia, como quando os romanos lhe sulcaram a lança no dorso e verteu-se água. Maria Chorava Muito e dizia que não queria dar a Luz ao anjo que lhe causava tanta dor. Maria perdeu muito Sangue, dormiu durante uma hora e morreu.
Enquanto isso Sua Mãe segurava-a no colo e começou uma cantiga: Mãezinha do Céu eu não sei rezar...eu só seu dizer que eu quero te amar, azul é o seu manto, Branco é seu véu, Mãezinha eu quero te ver lá no céu, Mãezinha eu quero te ver lá no céu...Chora-va era sim uma verdadeira Pietá.

terça-feira, 3 de abril de 2007

´´As veias abertas do Extremo Leste´´

fonte: http://www.portinari.org.br
Retirantes 1955. Cândido Portinari
Esse título vem de um Livro do Eduardo Galeano, grande poeta e escritor Uruguaiano, que fala da Memória viva da América Latina, tratando-a como memória viva humana.

Moro num bairro chamado Itaim paulista no extremo leste de São Paulo. A maioria da população que formou esse bairro e os vizinhos, como São Miguel Paulista, São migrantes de alguma região do nordeste, minha família mesmo é do Ceará, a do meu vizinho da Paraíba, do outro Maranhão e etc.

Vieram em busca de trabalho e melhor qualidade de vida, uma grande demanda de migrantes para trabalhar em industrias, nos Bairros de Tatuapé, Penha, Brás e etc. Meu pai mesmo veio em 1974 e trabalhou em uma fábrica no Tatuapé. Em busca de mão de obra barata e pouco especializada, para trabalhos mecânicos e com cunho de linha de produção, a indústria precisava de braços, não de cabeças, pra confecção de produtos, com o objetivo de criar um campo grande de consumo. Como o que se tem hoje.Uma comunidade e juventude consumista, superficial e explorada. Minha mãe e quase todas minhas tias, trabalharam em linhas de produção. Foi se criando no extremos desses bairros de Periferia, outros bairros conhecidos como extremo lestes (aqueles bairros que quase não se acha no mapa). Como Itaim Paulista, São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo. Onde a maioria, da classe operaria se instalou.

Pensando nisso descobri como nosso bairro é colonizado. Pelo grande sistema de ´´Tecnocratas´´, que dominam hoje a vida desses bairros. Não se vem de um lugar, não se identifica uma raiz cultural, por que a cultura foi esquecida e dispersada, o resgate dos valores é a novela das oito que traz. E a Cultura é trocada a cada nova tendência televisionada.
Agora minha prima, eu e a maioria de meus amigos trabalham em empresas de Telemarketing, como minhas tinham trabalhavam em linhas de produçao, mas agora não se necessita tanto de braços, mas de cabeças, manipulaveis pro consumo, para o fortalecimento do mercado e enfraquecimento da opção, da personalidade e do trabalho como contribuição de um individuo pra a sociedade, mas sim como ´´serviço´´- Servir.

Que cada adolescente que não teve base, quando não esta desempregado, consegue esse serviço que é a onda do Mercado, trabalhando com sistemas hipócritas e streessantes de pouco resultado profissional para crescer esse campo de uma industria individualista, competitiva e consumista.

Também, onde estudantes são apontados na cara pelos professores na faculdade, ou até qualquer curso técnico que dizem: Você não tem base! desculpa! por isso você não entende!(Valeu Sérgio!rsrs). As escolas ensinam que o que se deve ter, não se tem senão for do jeito que o Mercado de trabalho quer, e isso se reflete no País que não funciona em sistema de nação, mas de congresso. Ela prepara pra um mercado de trabalho, não pra um trabalho, ou uma escolha. As políticas públicas são instáveis, e de interesse partidário, e a cultura recebe a importância que o´´Brasil´´lhe dá: 2% de investimento, com abaixos assinados e manifestações a favor do seu aumento, enquanto deputados aumentam seus proprios salários, como a País não é nação, o público também é privado. Os espaços culturais não fomentam, cultura, criam cargos oportunistas. E de índole partidária não respeitando a livre expressão.

O resquício que se fica dessas aculturização, é uma música na boca do nosso vô, que a gente ouve desde pequeno mas não entende o que é; uma palavra ou expressão da nossa mãe: Ochi! que a gente repete sem saber de onde vem; quando muito uma historia velha do seu pai, de um brinquedo velho que ele mesmo fez.

Rafael Araújo Teixeira

Finalizo com três vozes que já me traduziram e como diz galeano, por mais fodido e lascado que se esteja, sempre haverá um conpatriota em algum lugar, mesmo que não seja nesse tempo, nem nesse lugar que se está... mas na celebração de nossas humanidades que é imtemopral.

"Quero falar dessa gente que só berra da geral sem nunca influir no resultado. É disso que quero falar." Plínio Marcos

"A gente vai se acostumando...A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma." Clarice Lispector

"Enquanto a Loucura diz que tudo isso é normal, eu finjo ter paciência" Lenine

Por Rafael Araújo

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Texto extraído do livro dos Abraços que trata a América Latina

Os operários 1933 - Tarsila do Amaral
Os Ninguéns (Eduardo Galeano)

As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida de cada dia, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam supertições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

Por Rafael Araújo