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domingo, 24 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
MANIFESTO DA ANTROPOFAGIA PERIFÉRICA
Manifesto da Antropofagia periféricaA Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor. dos becos e vielas há de vir a voz que grita contra o silêncio que nos pune. Eis que surge das ladeiras um povo lindo e inteligente galopando contra o passado. A favor de um futuro limpo, para todos os brasileiros.
A favor de um subúrbio que clama por arte e cultura, e universidade para a diversidade. Agogôs e tamborins acompanhados de violinos, só depois da aula.Contra a arte patrocinada pelos que corrompem a liberdade de opção.
Contra a arte fabricada para destruir o senso crítico, a emoção e a sensibilidade que nasce da múltipla escolha.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
A favor do batuque da cozinha que nasce na cozinha e sinhá não quer.
Da poesia periférica que brota na porta do bar.
Do teatro que não vem do “ter ou não ter...”.
Do cinema real que transmite ilusão.
Das Artes Plásticas, que, de concreto, quer substituir os barracos de madeiras.
Da Dança que desafoga no lago dos cisnes.
Da Música que não embala os adormecidos.
Da Literatura das ruas despertando nas calçadas.
A Periferia unida, no centro de todas as coisas.
Contra o racismo, a intolerância e as injustiças sociais das quais a arte vigente não fala.
Contra o artista surdo-mudo e a letra que não fala.
É preciso sugar da arte um novo tipo de artista: o artista-cidadão. Aquele que na sua arte não revoluciona o mundo, mas também não compactua com a mediocridade que imbeciliza um povo desprovido de oportunidades. Um artista a serviço da comunidade, do país. Que armado da verdade, por si só exercita a revolução.
Contra a arte domingueira que defeca em nossa sala e nos hipnotiza no colo da poltrona.
Contra a barbárie que é a falta de bibliotecas, cinemas, museus, teatros e espaços para o acesso à produção cultural.
Contra reis e rainhas do castelo globalizado e quadril avantajado.
Contra o capital que ignora o interior a favor do exterior. Miami pra eles ? “Me ame pra nós!”.
Contra os carrascos e as vítimas do sistema.
Contra os covardes e eruditos de aquário.
Contra o artista serviçal escravo da vaidade.
Contra os vampiros das verbas públicas e arte privada.
A Arte que liberta não pode vir da mão que escraviza.
Por uma Periferia que nos une pelo amor, pela dor e pela cor.
É TUDO NOSSO!
Sérgio Vaz Cooperifa
Fonte e mais informações sobre a Semana de Arte Moderna da Periferia visite: http://www.colecionadordepedras.blogspot.com/
quinta-feira, 28 de junho de 2007
POESIA DAS RUAS - 1º SARAU RAP DO BRASIL
É HOJE!
Projeto “Poesia das Ruas”Ritmo e Poesia. A Ação Educativa em parceria com o poeta Sérgio Vaz promoverá no mês de maio o projeto Poesia das Ruas. O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadoras doRap. É um espaço para o exercício da criação poética. Sem música, MCsdeclamarão suas letras, compartilhando talento literário. Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceria com a Ação Educativa e vai acontecer toda última quinta-feira do mês. Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar, através da oralidade, um incentivo para a criação poética. Rap é ritmo e poesia (rythman and poetry).
Projeto “Poesia das Ruas”Ritmo e Poesia. A Ação Educativa em parceria com o poeta Sérgio Vaz promoverá no mês de maio o projeto Poesia das Ruas. O Projeto Poesia das Ruas é um sarau dirigido a rimadores e rimadoras doRap. É um espaço para o exercício da criação poética. Sem música, MCsdeclamarão suas letras, compartilhando talento literário. Iniciativa do poeta Sergio Vaz, o Sarau do Rap é realizado em parceria com a Ação Educativa e vai acontecer toda última quinta-feira do mês. Fundador e coordenador do Sarau da Cooperifa, Vaz, pretende buscar, através da oralidade, um incentivo para a criação poética. Rap é ritmo e poesia (rythman and poetry).
DIA 28 de JUNHO (QUINTA-FEIRA) 19HS30As
As inscrições para declamar começam às 19h30, podendo ter até 50 poetas declamando por noite. Sergio Vaz promete um convidado especial em cada sessão.
Ação Educativa Rua: General Jardim, 660 – Vila Buarque - SP
Entrada: Gratuita
sábado, 12 de maio de 2007
VALE QUANTO SONHA - Sérgio Vaz
fonte da foto: http://www.ao-careggi.toscana.it
No meu registro de nascimento constam algumas informações ao meu respeito, acho que no de vocês também. No meu consta meu nome e sobrenome e os nomes dos meus pais. Quando alguém quiser saber onde eu nasci, a cidade e o estado, e só olhar lá. Vai ver que, além da minha cor, parda, e as cores dos meus olhos e dos meus cabelos, tem o dia, o mês e o ano em que vim ao mundo. Baseado nessas informações deram-me uma identidade, com número e tudo, acompanhada das minhas digitais. Sem ela ninguém se responsabiliza sobre a minha existência. Sem ela eu não consigo a minha subsistência, nem você. Mas há aqueles que percebem que não são apenas números e datas, e constroem com suas próprias mãos, identidades feitas de raízes e asas. Eles não têm registros de nascimento, muitos renascem a todo instante. Sabemos apenas que eles existem. São os que realmente acreditam no céu – independente da religião que acreditam-, por isso valorizam o tempo que estão sobre a terra. Não gastam tempo com nomes ou sobrenomes, chame-os do que quiserem, eles virão. Cidadãos do mundo, são do interior de Fortaleza que fica em Barcelona, na Espanha. São das ladeiras de Taboão da Serra ou das florestas da África. Não são de ninguém, mas são de todo mundo. Nascem a todo instante: à tarde, pela manhã, ou à noite. Tanto faz se é domingo ou sexta-feira, dia dez, trinta, dezembro ou fevereiro. E eles não vêm de nenhum lugar e estão no mundo todo. São brancos, negros, amarelos, gente de todas as cores. Aquarelas nos olhos enxergam o mundo colorido, apesar do preto e branco que impera. Para eles os sonhos são frágeis, ao menor toque de realidade podem-se quebrar. Presos à liberdade, riem do cotidiano. Trabalham porque são felizes e não são felizes só porque trabalham. Eles têm causas nobres, por isso não brigam, lutam. A briga tem hora para acabar, a luta, é para uma vida inteira. Uns se chamam Luther King, outros Marighela. Tem o Zé, o Silva, a Maria. O Zumbi, o Zagatti, Jovelina, não importa, os nomes não importam.

No meu registro de nascimento constam algumas informações ao meu respeito, acho que no de vocês também. No meu consta meu nome e sobrenome e os nomes dos meus pais. Quando alguém quiser saber onde eu nasci, a cidade e o estado, e só olhar lá. Vai ver que, além da minha cor, parda, e as cores dos meus olhos e dos meus cabelos, tem o dia, o mês e o ano em que vim ao mundo. Baseado nessas informações deram-me uma identidade, com número e tudo, acompanhada das minhas digitais. Sem ela ninguém se responsabiliza sobre a minha existência. Sem ela eu não consigo a minha subsistência, nem você. Mas há aqueles que percebem que não são apenas números e datas, e constroem com suas próprias mãos, identidades feitas de raízes e asas. Eles não têm registros de nascimento, muitos renascem a todo instante. Sabemos apenas que eles existem. São os que realmente acreditam no céu – independente da religião que acreditam-, por isso valorizam o tempo que estão sobre a terra. Não gastam tempo com nomes ou sobrenomes, chame-os do que quiserem, eles virão. Cidadãos do mundo, são do interior de Fortaleza que fica em Barcelona, na Espanha. São das ladeiras de Taboão da Serra ou das florestas da África. Não são de ninguém, mas são de todo mundo. Nascem a todo instante: à tarde, pela manhã, ou à noite. Tanto faz se é domingo ou sexta-feira, dia dez, trinta, dezembro ou fevereiro. E eles não vêm de nenhum lugar e estão no mundo todo. São brancos, negros, amarelos, gente de todas as cores. Aquarelas nos olhos enxergam o mundo colorido, apesar do preto e branco que impera. Para eles os sonhos são frágeis, ao menor toque de realidade podem-se quebrar. Presos à liberdade, riem do cotidiano. Trabalham porque são felizes e não são felizes só porque trabalham. Eles têm causas nobres, por isso não brigam, lutam. A briga tem hora para acabar, a luta, é para uma vida inteira. Uns se chamam Luther King, outros Marighela. Tem o Zé, o Silva, a Maria. O Zumbi, o Zagatti, Jovelina, não importa, os nomes não importam.
segunda-feira, 12 de março de 2007
Lágrimas de crocodilo e outros bichos (Sérgio Vaz)
Estou farto dos leões de zoológicos. Farto desta fauna interminável de bichos soltos, com a mente enjaulada, que se espalham pelo país. Uns bestas feras, outros, feras bestas. Não há trocadilho que salve essa gente.No Brasil todo mundo é leão, é tigre, é onça, todos rugem, mas ninguém morde ninguém.
Todo mundo na selva sabe quem são predadores e aonde dormem os inimigos, mas as garras finas e elegantes vão sempre desfilar seus óculos escuros no palco fino do açougue que vende carne de primeira. Tamanduá tomando conta do formigueiro.
Outro dia um abutre –ô bicho ruim!-, disse que os esquilos tinham que serem enjaulados logo que nascessem. E que a culpa toda não era das hienas que riam sobre a carniça, mas das coelhas que não paravam de parir. O discurso foi muito aplaudido pelas raposas.
Na floresta miúda, enquanto calangos e micos-leões-dourados disputavam migalhas para não extinguir, uma cobra, de terno e gravata, espreitava um papagaio vestido com a camiseta da águia americana. Nada mais animal. Com olhos de lince, a pantera assistia tudo vestindo uma boina a Che Guevara. O silêncio do pântano mata mais que o grito do jardim.
O Sapo de barba prometeu a promessa do tucano empolado, será? Sei não, esses bichos são muitos esquisitos...
Só sei que os pintinhos estão com fome, e, no galinheiro, as galinhas mortas estão assistindo briga de galo, já que o milho não dá pra todo mundo. Pra piorar, os porcos não querem nem saber, só se preocupam em se lambuzar na lavagem.
Do outro lado da mata, paradoxo total, todo mundo quer abraçar o Maracanã num país cheio de bicho abandonado, carente de abraços.
Sempre que morre um canarinho aparece um pavão com lágrimas de crocodilo para decorar o velório alheio. Pardal não canta, por isso morre em silêncio.
Outro dia um falcão segurando uma AR15 disse: “se morre um, nasce outro em seu lugar”. Só o burro não entendeu.
As antas também não entenderam que os bezerros são educados no semáforo porque os bois estão mamando livremente nas tetas da vaca.
Uma caneta na mão de um lobo é tão mortal quanto um 38 na mão de outro lobo. Pena de morte para o lobo de caneta?
-Justiça! Grita o gado a caminho do matadouro.
Infelizmente nascemos com uma jaula no coração. Por isso, latimos como cães, mas agimos como frangos.
Por Sérgio Vaz
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