terça-feira, 17 de abril de 2007

Relato do 2º Encontro Eco-Cultural



Como previsto, as atividades do Encontro Eco-Cultural aconteceram como no calendário, com apenas alguns atrasos que não impediram o bom andamento do evento. Uma boa parte do terreno foi limpa graças ao apoio popular de não só pessoas da região (São Miguel Paulista) como também pessoas de outros bairros e municípios (Itaim Paulista, Itaquaquecetuba...). Mas mesmo assim não foram tantas pessoas, mas as que foram trabalharam com gosto e a primeira parte da limpeza acabou rapidinho.

No local há muitas pedras soterradas, o que complica um pouco o trabalho, porém não a ponto de fazer alguém desistir. O trabalho na inchada foi duro e gratificante, mas não menor e também não maior do que o trabalho do pessoal que pintou, da moça que preparou o suco, do pessoal que fez o almoço e do pessoal que cantou e tocou para descontrair. Em tudo o otimismo e a força do coletivo falaram mais alto.

Durante a limpeza apareceram muitos curiosos nas janelas, nas portas e nos carros. Chegamos a ser denunciados por um motorista "bom cidadão" e curioso de estarmos limpando o local para invasão. Há uma enorme quantidade de lixo no local, porém este certo motorista não denuncia quem o suja, não cobra a limpeza do local que deveria ser responsabilidade da prefeitura, já que o terreno é público, e também não move ação nenhuma para que local seja melhor. Mas é bem provável que esta pessoa seja mais uma das que colaboram para a degradação e sujeira do local; deve ter se incomodado por não ter mais espaço lá para toda sua imundície. Estamos mesmo precisando de ajuda, se ele se preocupa tanto assim por termos mexido no lixão dele, o local está aberto para que ele o leve de lá. Esperamos também que os outros curiosos colaborem com a limpeza.

Como disse, o espaço é público, e vamos utilizá-lo com o público e para o público. Tem até um palco para as atividades culturais, e artistas para organizá-las é o que não falta.
O Encontro Eco-Cultural representa muito mais do que uma simples limpeza de um terreno. É a união de pessoas corajosas e honestas que buscam nada mais do que uma condição digna de vida, com espaços onde possam ser elas mesmas, se expressando livremente e falando a mesma língua que seus vizinhos. É a união de arte, cultura e força de vontade. E o que antes era considerado utopia, hoje é mais um bloco na construção de uma grande realidade futura para a região.

Nada do que eu escreva aqui irá traduzir a grandiosidade do que está sendo os Encontros. Por isso não faça perguntas, é melhor que você veja com os próprios olhos. Fique atento as atualizações deste blog e do Outra Versão e participe também. ISSO SIM QUE É COMBATER POLUIÇÃO VISUAL!

Já adiantando:
Dia 28 sábado será as apresentações: teatro, clown, música, exposição de artes plásticas.....
Dia 29 domingo vamos pegar na inchada e terminar de limpar a praça....

sábado, 14 de abril de 2007

A MÁQUINA DE MOER GENTE

Texto: Jorge Américo
Ilustração: 1000imagens

No ímpeto da madrugada
Alguém ligou a máquina de moer gente.
Soaram-se os tambores de guerra.
E pelas esquinas desertas, as sirenes
Prenunciavam dias sombrios.

Uma intensa chuva bélica interrompeu o silêncio
Saciando a sede de morte.
Luzes noturnas.
Gritos melindrosos.
Terremotos artificiais.
Explosões.
Morteiros.
Granadas.
Poeira.
Sangue.
Medo.

Uma rajada de metralhadora abriu o peito de uma criança,
Mas ela não morreu. Protagonizou obra do sobrenatural:
Dormiu na terra e acordou no céu...
Era um anjo.
Mataram um anjo e a televisão não mostrou
(O horário era impróprio).

Alguém apagou a luz!
Não. Foi um soldado que perdeu os olhos.
Nada, porém, mudou.
Antes de ser mutilado,
O infante já estava cego de ódio.

Esqueçamos a diplomacia e os Direitos Humanos!
Chamem a Sociedade Protetora dos Animais!
Alguém precisa fazer alguma coisa!
Dorida, a pomba da paz agoniza,
Calcada aos pés de um tirano.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Programação da Virada Cultural

A 3ª Virada Cultural de SP acontecerá entre 5 e 6 de maio em vários pontos da cidade, tanto em espaços públicos quanto em espaços privados. Começa às 18h - sábado - dia 5, e termina às 18h- domingo, dia 6.

Para conferir a Programação da 3ºVirada Cultural entre no nosso Disco Virtual: http://discovirtual.uol.com.br/disco_virtual/oliveira.samara//arteparamudar
A senha de visitação da pasta é: arte1

Obs: No nosso Disco Virtual você também encontrará outros arquivos para baixar. Os arquivos compartilhados por este blog são seguros, livres de vírus.

Programação gentilmente recomendada e cedida por Dilson

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Agenda da Semana

ANOTA AÊ !!!

Dia 12 - quinta-feira às 17h30 no Sesc Carmo
  • Limites e Fronteiras da Literatura Encontro literário “Terceira MargemMarginal”.
  • Para saber mais: clique aqui
Dia 14 - sábado às 19:00h no Centro de Educação e Cultura Francisco Carlos Moriconi - Suzano
  • Pavio da Cultura: Além das atividades que já fazem parte do sarau literário, este mês... para saber clique aqui
  • Endereço: Rua Benjamin Constant, 682 - Centro
  • Contato: 4747-4180 / 4759-2304 / 4748-7348
Dia 15 - domingo à partir das 9:00h em São Miguel Paulista

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Agenda Cultural de Suzano

Capa - especial Aniversário da cidade

Página da Coordenadoria Literária

Centro Cultural Palmeiras - Suzano

Ações apoiadas pela Secretaria de Cultura

Endereços dos espaços culturais e telefones

TODAS AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA SECRETARIA DE CULTURA DE SUZANO SÃO GRATUITAS. APROVEITE!



SESC Carmo Promove Encontro Sobre Literatura Marginal

Fonte da imagem: http://ferrez.blogspot.com/

Lourenço Mutarelli, Ferréz, Érica Peçanha e Olga Arruda debatem a Literatura Marginal.
Na quinta-feira, 12 de abril, às 17h30, o SESC Carmo realizará o encontro literário “Terceira Margem: Limites e Fronteiras da Literatura Marginal”. A proposta é debater questões referentes à literatura marginal no Brasil, como conceito, mercado editorial e outras produções culturais da periferia. A atividade terá a participação de Lourenço Mutarelli, autor do livro o “Cheiro do Ralo” que deu origem ao filme homônimo; Ferréz, rapper e escritor, autor de “Ninguém é Inocente em São Paulo”, e Érica Peçanha, mestre em Antropologia Social pela USP, que desenvolve estudos sobre literatura marginal. A mediação ficará a cargo de Olga Arruda, pedagoga, assessora especial da Secretaria de Educação da Prefeitura de São Paulo e coordenadora de projetos educativos da região central da cidade. Embora esteja em evidência no mercado literário, a literatura marginal não é uma novidade. Ela surgiu na década de 70 e, recentemente, virou rótulo literário de escritores não-participantes da indústria cultural. Há 30 anos este estilo literário retratava a vida dos jovens de classe média e alta, sempre com tons de ironia e de poesia, e também era uma forma de manifesto da produção artística alternativa, que tinha como principal alvo a ditadura militar.Hoje ela dá voz aos excluídos da sociedade, em sua maioria moradores da periferia, que relatam a violência, drogas e falta de perspectivas, com extrema realidade e uma linguagem peculiar. É justamente esta linguagem uma causadora de grandes adversidades junto aos mais puristas da língua portuguesa. Os textos da literatura marginal são pontuados por uso excessivo de gírias, utilização de regras próprias de concordância e de ortografia, além de nunca seguirem as normas estabelecidas pelo padrão tido como culto.

O endereço do SESC Carmo é rua do Carmo, 147. Pça. da Sé
Serviço:Terceira Margem : Limites e Fronteiras da Literatura Marginal
Quando: 12 de abril, quinta-feira, às 17h30
Evento gratuito - 50 vagas portal www.sescsp.org.br
Fone: 3111-7000
Censura livre * Acesso para Deficientes * Duração: 60 Minutos * Sem Ar-condicionado

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Fotos do Coletivo Nós por Nós



Já sairam as fotos do Coletivo Nós por Nós. Clique na imagem acima para vê-las. E para refrescar a memória sobre o Coletivo leiam os posts do mês de fevereiro.

CONTO - caminhos

jonilson montalvão

Num dia ensolarado caminho pensativo; a mente é a grande condicionadora do tempo. A alameda é a única que talvez possa me seguir nesse dia, ou seria o contrário? Não sei. Quanto mais penso, mais vejo que não há poréns. Soluções infindáveis que a vida tende a reciclar. Parece que essa conspiração me diz como eu sou tão minúsculo. Sou restos de estrelas num universo muito mais que difuso. Confuso. Há certas coisas na vida que não entendemos, só filosofias e metáforas não explicam tudo. Não tenho muita coisa, não faço questão de possuir nada. Mas queria ver meu filho. Às vezes dá uma sensação inexplicável, essas coisas da vida. Uma repressão danada de pensamentos. A arte é apenas uma simulação da existência. Sem ela não existo. Continuo a produção. Sei que não terão fins; a arte...os limites que nos colocam, os rótulos que recebemos enquanto fazedores de alguma coisa. Simples seria não pensar, não ruminar teorias absurdas. Relembro um poema de Alberto Caeiro que, nesse instante, me fala muito: "Quem me dera que a minha vida fosse um carro de bois/Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,/E que para de onde veio volta depois/Quase à noitinha pela mesma estrada/Eu não tinha que ter esperanças – tinha só que ter rodas..." Enquanto a mente trata de buscar o poema, a boca vai se abrindo ao som, numa quase declamação. Ruminações. Alguns percebem que estou falando sozinho. Não pode falar sozinho, te julgam como maluco, insano. Aliás, não pode nada. Não pode andar com roupas velhas, não pode chorar, não pode gritar, não pode, não pode...Cansaço. Essa sociedade me cansa, me maltrata. Mas tenho minhas saídas. Quase nada resta do planeta. Ontem li que a Amazônia poderá até vir a entrar num processo de savanização; o que estamos fazendo com a Terra? Nossa mãe, nosso lar. Destruindo tudo; a cada dia destruímos tudo. Ferozes na arruinação. Exterminadores, é isso o que somos? A manhã linda de sol. Um dia de verão. Essa alameda poderia ser na periferia. Ruas com árvores poderiam existir na periferia. Ali quase nada sobrou. Casas e mais casas, rios tapados com concretos. A dignidade por um fio. Mas esse local não me aconchega tanto quanto lá. A individualização dos protótipos aqui é tamanha, talvez lá também seja. Eu é que não quero ver isso. Prefiro ouvir música. Cretino dos infernos. Manhã de sol com música: Coltrane, Miles Davis, Renato Braz. Que sensação de prazer estranha. Parece que nem isso podemos ter mais. Um crime. Virou um crime ser feliz. Vida tacanha, pensamentos tacanhos. Mas quem sou eu para julgar qualquer coisa? Sou nada? É...coisas que ruminam. A próxima rua já é o centro: limites. Outras dinâmicas. Andar já faz parte da minha situação. Prezo pelas pernas. Ando pra todo lugar; qualquer lugar. Manhã de verão com vento no rosto. Hoje estou um pouco sisudo. Talvez seja essa ansiedade por esse encontro: uma garota. Não uma simples e qualquer garota, uma especial, acho que todas são, mas essa é de um charme distinto. Inteligente ao extremo; criança mestiça no mais puro aterrorizante senso de liquidar qualquer homem. Um olhar melado na cor, sorriso que te deixa perturbado nos sonhos da conquista: pataxó. Penso nela e me vejo tentando ser, a todo custo, sempre, inteligente. Todos temos nossos dias de espontaneidade. Posso muito bem saltar obstáculos; sorrio da miséria. Grande metrópole. Encontros às avessas. Tantas coisas para se dizer. Penso em beijos. Lábios morenos. Construções sorrateiras, efêmeras. Grande metrópole ocasional. Misérias humanas a tornar a cidade habitada. Rumino. Penso. Ando. Só embrião no asfalto quente e eterno da palidez cinza que nos transformamos. Preciso de café. Ainda não vi aquele prédio que me disseram que ficava por aqui e tem um estilo néo-clássico, rococó, gótico...grande merda tudo isso; construções opressoras que tapam nossa visão do horizonte e ainda temos que admirar concreto. Foda-se tudo isso! Uma grande confusão essa cidade. Mas nossos encontros são tão sublimes. Espero ansioso por esse momento. Desde quando estive no mar não a vejo. Penso no corpo da menina mestiça. Tomar um café sentado. Dizem que o café de coador é o melhor. Só o da minha mãe é bom. Hoje quero um expresso; puro e bem cremoso. Coisa boa. Néctar. Tudo relativo. Parar num grande centro é autodomínio. Andar sem pressa enquanto todos correm. Praquê? Depois esgota a atuação produtiva. Cartazes; sinais, letreiros. Luminosos. Quanto lixo! Praças repletas de desgosto. Tudo se vende. Cinemas na memória. Ocupações nervosas. Crises, caminhantes; carros; putas. Estou em câmera lenta. Slow motion. Reflito melhor depois que fumo. Sintonizo o olhar e percorro extensões. Cores, sons, ruídos; explosões dimensionais. Quero ver um documentário mais tarde. Agora quero entrar numa sebo. Tocar livros. Procurar detalhadamente; percorrer cada prateleira e folhear livro por livro tal Borges na sua biblioteca. Caminhar sem pretensões, sem obrigação de chegar a lugar nenhum. Eis-me absoluto no tempo. Espaço sagrado de meus ancestrais. Meu sangue divide a explosão da lembrança com o rancor da revolta contra a barbárie de uma conquista subjugada a povos sagazes. Pagaremos todos por isso. Caminhar. Não pensar em pensar já é um ato. Fato. Menina da minha volúpia. Não volteio. Sou voluntarioso demais para isso. Penso na carne mas também nas demais possibilidades que temos. Num encontro há demasiada atmosfera para tudo. Beijos, seduções, olhares; insinuações, toques. Flertes. Rumino demais antes do acontecido: ansioso. Talvez seja a cafeína correndo no corpo. Muitas drogas que não queremos e tomamos assim mesmo. Motivos? Quem saberá? Nunca temos bons motivos para fazermos nada. Simples é ser destituído. Quem é? O tempo escorre pelas sensações. O sol quase escondido numa janela dum prédio alto. Arranha-céu. Olhar a atuação teatral da humanidade é risível. Circos espalhados pelos cantos. Basta observar um pouco mais. A sensação é que manda. Irrealidade constante na vivência de cada um. Cabelos negros escorridos. Como a mente é irregular, ou sou eu? Como será que ela estará vestida? Talvez uma saia, um chinelo simples deixando a mostra os pés caboclos e trigueiros. Unhas sem tinta que sutilmente prolongam os pés. Caminhar é se estender ao mundo, é sentir a vibração da vida, mesmo ela estando em decadência. Pulsar contínuo; explorar todas as possibilidades da beleza que ainda nos resta. Contatos com o outro. Primazias da existência humana. Dignidade a pontapés. Saber-se limitado e não dar por isso reações anormais. Andar devagar, sem pressa e sorrir, como a canção. Nabokov tardio. Sobrepujar os hipócritas que determinam que o mundo deveria ser do jeito deles. Alice no País da hipocrisia. O mundo é diversificado; não há restrições a seguir. Causar celeumas é um tanto obliquo. Alguns reacionários temem tanto a diferença. Matam, extirpam a livre vontade; reduzem a naturalidade. Violência disfarçada de moral. Vão a merda todos! Neoinquisidores. Não quero pensar nessas desconexões. Quero reter o tempo num momento de extrema felicidade. Sentir tudo. Perceber pelos sentidos; despir de preconceitos tolos. Alcançar a inexatidão como se mergulha num rio de águas límpidas. A nitidez da primeira paixão. O primoroso da vida é esse momento. Se expandir para fora do próprio ego. Deixar-se levar pelo movimento contínuo. Sem queixas nem tampouco absurdos da memória. Não há idades. Não há diferenças. Só aquilo que queremos e desejamos. Num átimo de tempo a sensação de fluidez é uma agitação corporal de bem estar. O silabário finda e só temos o silêncio refletindo os mais dos dizeres que não são ditos e que talvez nem precisem. Caminhos que são romperes. Dizeres. Tudo que diz: Olá. Oi. Abraços. Carinhos. Contra-dizeres. Fatos. Um cuidado enleado. A mão é exposta, revelada ao toque. Insinuações comportamentais. Tantos pensamentos em pouco instante. A dimensão que me encontro...Proponho rompimentos. Sagrado e profano na fala dela. Como o outro enxerga a gente? Minha fala é uma, a vontade é outra. Olho iluminado. Olhar desejoso. Tento não querer. Mas como? São essas atribuições que jogamos...a mente traça os paralelos do desejar. São situações que poderiam ser normais. Atos. Qualidade imprevisível da vida. O que é a vida? Jogos de vontade. Momentos que aspiro. Sentidos pulsantes, extravagantes. Qual é o fato da memória que conspira tanto assim? Na incerteza, corda bamba; equilibrista único, ando. As mãos que não sossegam. Me quer bem. Também te quero menina mestiça. Corre pro meus braços. Te cuido. Ninfa. Nímio. Te acalento. Tanto querer. Rumino. Tanto querer...o olhar seduz. Sem querer? Tantos trejeitos. Sutis? Esses que te arrasam, te calam. Musa. Sou tão arcaico, assim perto. Conversas que fluem tão facilmente. Sem restrições de diálogos. Só aqueles que me sufocam. Mas aí sou eu na insegurança da moral. A moral que eu mesmo produzi. Um hinado nos ouvidos: Cartola. Solenidade da voz. Penetra os poros e trás um contentamento a pequenez do viver. Momentos; a vida é dessa feitura. Material incansável do espirito. Beleza é subjetiva? Talvez. Mas a dela é tão vivaz. Reponho o olhar, desvario total. Penetro teu olhar. Volto os olhos para formas: pernas, mãos, braços, seios, pescoço; boca, olhos, cabelos. Então sou comprazedor. Ouço o poema que ela lê pra mim. Mário Quintana: Os degraus: "Não desças os degraus do sonho/Para não despertar os monstros./Não subas aos sotãos-onde/os deuses, por trás das suas máscaras,/Ocultam o próprio enigma./Não desças, não subas, fica./O mistério está é na tua vida!/E é um sonho louco este nosso mundo..." Reflito intimamente. Por que será que lemos um poema para outra pessoa? Queremos lhe falar por outros pensamentos? Gosto do poema, mas prefiro ler os meus, assim sou direto. Desfaço do olhar. Como desejo tudo. Enigmas? Quem é que se revela? Propostas de diversão. Mundo louco... Sou tão insano. Poderia ser pai dela. Que merda de pensamento: medíocre. Estou ficando medíocre. Não pensar já é um fato. Ato. Idades. Tempos. Gerações. Ridículo! Mas são pensamentos quase inevitáveis. Quases...Ilusões. Talvez sentir seja apenas uma ilusão. Quem sabe eu nem exista. Estou num mundo paralelo. Posso desejar tudo e não sofrer pelo fato de desejar. Quantas bobagens. Falo de saudades. Sorriso da mulher. Transformação da alma. É o que é e pronto. Mas criamos sentimentos; criamos ocasiões e situações. Há em tudo uma emoção. Não escondo, porém, disfarço, camuflo. Talvez à toa. Talvez. Nada se esconde por muito tempo. Desejos improváveis. Sou tão prolífico. Me perco. Digo que estou bem. Planos? Quem não os tem? Sou arraigado. Artes? Sobreviver é tão linear que não me vejo assim. Por tudo o que vem, o que não vem. Pretensões. Lógico que planejamos a vida. Sei da diferença entre coisas planejadas, mas mesmo assim, lá no íntimo, ainda assim, temos planos. Como fala!- de tudo - tão nova, às vezes. Sonhar, viver o sonho sonhado. Penso em tudo. Desprender de coisas. Não tenho nada. Ouço seus planos, seu futuro. Como podemos planejar algo tão incerto? Tão meiga. Como não pensar em atos? Ouço sua razão de voltar. Vontades. Não temos pressa. O tempo é subjetivo demais. Mas já é tão tarde pelo relógio. Quem se importa? Não temos pressa de nada. Quero um baseado, depois um café. Ela, um baseado e um vinho. Não bebo mais. Transfiguração do ser. Me vejo num espelho. Estou feliz. Demonstro. Ela sorri. Sempre sorri. A luz solar que finda é deslumbrante. Penetra pelas entradas e reflete nos olhos caramelos, quase verdes. Luz amarelada, assim a vemos. A cidade se acende. O corre-corre dos transeuntes é infindável. Exposições nos Centros Culturais. Conexões pela arte. Cafés, vinhos, baseados. Transmudar. Abraços. Saudades. Caminhar juntos, de mãos entrelaçadas. Excitação. Desejos. Desejar e sentir o desejo que foi desejado. Lembro de uma frase que Diadorim disse para Riobaldo: -"Riobaldo, hoje em dia eu nem sei o que sei, e, o que soubesse, deixei de saber o que sabia..." Não sei, não penso que sei, quero me esquecer e prosseguir. Renovado das saudades, das memórias. Momento que é já. Meu momento é já. Pensar é tão sublime. Isso é tão importante. Qualquer extremo da emoção. O extremo da minha vida é o da periferia que me opõe. Sentir, da forma mais plausível, é algo maravilhoso. Sentir e realizar os sentimentos desejáveis. Realçar a explosão do desejar. Como gostaria de experimentos. Volúpias. O resvalar das peles. Brandamente, suavemente. Toques. A rua se move. A cidade se move. Bares: afluências, algazarras. Sensíveis estalos dos sentidos. Cinema: visões moventes. Teatros: representações à flor da pele; efeitos da concordância dramática do ser. Máscaras do cotidiano. Circundantes ocasiões da vida. Lágrimas que somem nas sombras. Quem me dera atuar. Sou tão displicente. O que é o amor? Família é algo extremo. Minha mãe é o extremo da discordância. Pensar que conhecemos o outro. Filhos. Sou tão imérito. Casualidades da aflição. Avançar, no pensar, conter-se nas ações. Risível. Ouvidos atentos às frases. A mente realça outras possibilidades. Eu a ouço. Ímpeto da alegria jovial que me seduz. Transformo-me. Renovo-me. Cito frases feitas, poemas. Empolgo-me. Qualquer atitude é finita. Penso na idade. Sempre a razão: miséria humana do incondicional. Retratos e rogatórios da condição a que nos submetemos. Exalto suas características. Sublimo o singelo. Beleza ancestral. Todos somos Tupinambás. Sentir é rever. Somos a memória dos derrotados. Mas não há derrotas quando a olho. Não poderia haver derrotas quando há beleza assim. Sou tão caboclo: Carijó. A noite ganha a cidade. Ares mais frescos aos arredores. Somos projetos. Tanto falamos, tanto há, ainda, para se falar. Assuntos intermináveis. Sorrisos sinceros. Ficaria assim por todo o tempo que fosse...Joguei tudo pro amanhecer. Amanhã eu sou outro. Mas o dia é finito. Serei outra vez qualquer coisa. Serei eu no cadafalso da memória. Recapitulo os dizeres. Estou alegre. Permanecer na rotina é qualquer coisa de questionável. Sei da rotina. Embaraços dos corpos. Menina. Quantos pudores enfrentamos para dizer o não dizível? Fico aqui, depois de passar pela euforia, permaneço sincero nos atos. Palavras são mistérios. Meu mundo é, hoje, uma garota encantada com olhos que me causam flebostasia. Palpito e caminho. Penso nas eternas comunhões que fazemos no decorrer de nossas existências. Soberbo pela ação do maravilhamento que condiciona o existir. O meu existir. São circunstâncias únicas. O nirvana completo. Sentir é viver. O tempo é um ser? Meticulosidade do ser. Esmiuçar todas as possibilidades, todos os pormenores da ocasião. Efêmero é o pensar. Sempiterno é o pensar. Não há razões para nada acontecer. Tudo que se diz é o extremo no pulsar da emoção. Sou emocional. Outros modos de estar próximo. Por mim deixaria as coisas assim.

terça-feira, 3 de abril de 2007

´´As veias abertas do Extremo Leste´´

fonte: http://www.portinari.org.br
Retirantes 1955. Cândido Portinari
Esse título vem de um Livro do Eduardo Galeano, grande poeta e escritor Uruguaiano, que fala da Memória viva da América Latina, tratando-a como memória viva humana.

Moro num bairro chamado Itaim paulista no extremo leste de São Paulo. A maioria da população que formou esse bairro e os vizinhos, como São Miguel Paulista, São migrantes de alguma região do nordeste, minha família mesmo é do Ceará, a do meu vizinho da Paraíba, do outro Maranhão e etc.

Vieram em busca de trabalho e melhor qualidade de vida, uma grande demanda de migrantes para trabalhar em industrias, nos Bairros de Tatuapé, Penha, Brás e etc. Meu pai mesmo veio em 1974 e trabalhou em uma fábrica no Tatuapé. Em busca de mão de obra barata e pouco especializada, para trabalhos mecânicos e com cunho de linha de produção, a indústria precisava de braços, não de cabeças, pra confecção de produtos, com o objetivo de criar um campo grande de consumo. Como o que se tem hoje.Uma comunidade e juventude consumista, superficial e explorada. Minha mãe e quase todas minhas tias, trabalharam em linhas de produção. Foi se criando no extremos desses bairros de Periferia, outros bairros conhecidos como extremo lestes (aqueles bairros que quase não se acha no mapa). Como Itaim Paulista, São Miguel Paulista, Ermelino Matarazzo. Onde a maioria, da classe operaria se instalou.

Pensando nisso descobri como nosso bairro é colonizado. Pelo grande sistema de ´´Tecnocratas´´, que dominam hoje a vida desses bairros. Não se vem de um lugar, não se identifica uma raiz cultural, por que a cultura foi esquecida e dispersada, o resgate dos valores é a novela das oito que traz. E a Cultura é trocada a cada nova tendência televisionada.
Agora minha prima, eu e a maioria de meus amigos trabalham em empresas de Telemarketing, como minhas tinham trabalhavam em linhas de produçao, mas agora não se necessita tanto de braços, mas de cabeças, manipulaveis pro consumo, para o fortalecimento do mercado e enfraquecimento da opção, da personalidade e do trabalho como contribuição de um individuo pra a sociedade, mas sim como ´´serviço´´- Servir.

Que cada adolescente que não teve base, quando não esta desempregado, consegue esse serviço que é a onda do Mercado, trabalhando com sistemas hipócritas e streessantes de pouco resultado profissional para crescer esse campo de uma industria individualista, competitiva e consumista.

Também, onde estudantes são apontados na cara pelos professores na faculdade, ou até qualquer curso técnico que dizem: Você não tem base! desculpa! por isso você não entende!(Valeu Sérgio!rsrs). As escolas ensinam que o que se deve ter, não se tem senão for do jeito que o Mercado de trabalho quer, e isso se reflete no País que não funciona em sistema de nação, mas de congresso. Ela prepara pra um mercado de trabalho, não pra um trabalho, ou uma escolha. As políticas públicas são instáveis, e de interesse partidário, e a cultura recebe a importância que o´´Brasil´´lhe dá: 2% de investimento, com abaixos assinados e manifestações a favor do seu aumento, enquanto deputados aumentam seus proprios salários, como a País não é nação, o público também é privado. Os espaços culturais não fomentam, cultura, criam cargos oportunistas. E de índole partidária não respeitando a livre expressão.

O resquício que se fica dessas aculturização, é uma música na boca do nosso vô, que a gente ouve desde pequeno mas não entende o que é; uma palavra ou expressão da nossa mãe: Ochi! que a gente repete sem saber de onde vem; quando muito uma historia velha do seu pai, de um brinquedo velho que ele mesmo fez.

Rafael Araújo Teixeira

Finalizo com três vozes que já me traduziram e como diz galeano, por mais fodido e lascado que se esteja, sempre haverá um conpatriota em algum lugar, mesmo que não seja nesse tempo, nem nesse lugar que se está... mas na celebração de nossas humanidades que é imtemopral.

"Quero falar dessa gente que só berra da geral sem nunca influir no resultado. É disso que quero falar." Plínio Marcos

"A gente vai se acostumando...A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma." Clarice Lispector

"Enquanto a Loucura diz que tudo isso é normal, eu finjo ter paciência" Lenine

Por Rafael Araújo

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Texto extraído do livro dos Abraços que trata a América Latina

Os operários 1933 - Tarsila do Amaral
Os Ninguéns (Eduardo Galeano)

As pulgas sonham com comprar um cão, e os ninguéns com deixar a pobreza, que em algum dia mágico a sorte chova de repente, que chova a boa sorte a cântaros; mas a boa sorte não chove ontem, nem hoje, nem amanhã, nem nunca, nem uma chuvinha cai do céu da boa sorte, por mais que os ninguéns a chamem e mesmo que a mão esquerda coce, ou se levantem com o pé direito, ou comecem o ano mudando de vassoura.

Os ninguéns: os filhos de ninguém, os donos de nada.
Os ninguéns: os nenhuns, correndo soltos, morrendo a vida de cada dia, fodidos e mal pagos:
Que não são, embora sejam.
Que não falam idiomas, falam dialetos.
Que não praticam religiões, praticam supertições.
Que não fazem arte, fazem artesanato.
Que não são seres humanos, são recursos humanos.
Que não têm cultura, têm folclore.
Que não têm cara, têm braços.
Que não têm nome, têm número.
Que não aparecem na história universal, aparecem nas páginas policiais da imprensa local.

Os ninguéns, que custam menos do que a bala que os mata.

Por Rafael Araújo