Texto: Jorge AméricoIlustração: Mgnus Muhr
A larva, parida ao sol do meio-dia,
Precisava, segundo determinações da natureza,
Evoluir em mosca
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Envelhecer
E morrer
Num prazo de 24 horas
Após o êxtase da metamorfose,
Entoava cânticos de alegria
Zunindo pelos ares e pelos lares...
De repente, uma fatalidade:
A morte precoce
(maquinada por uma mente perversa)
Certamente que morreria
Afogada num prato de sopa
Ou devorada por um réptil
Ou ainda, de indigestão, dispersa num acúmulo de fezes...
Mas a ação humana a impediu de ter uma morte natural
O moribundo inseto
Teve membros atrofiados
Insuficiência respiratória
Falência múltipla dos órgãos
E expiou envolvido numa nuvem de aerosol:
Desfecho dramático de uma vida desprovida
De grandes aventuras amorosas
E badaladas noites de verão
Era, apesar da futileza,
Uma mosca de bom coração
Pois voa agora, por intermináveis horas,
Sobre um jardim de purezas infinitas.
Pode ser que ela tenha tido sorte, não morreu de depressão e não morreu na merda...
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